Olá brisa do mar!

Hoje, dia 11 de Outubro, é o Dia Internacional da Rapariga e é por isso que escrevo este artigo mais cedo. Talvez te possas estar a perguntar o porquê deste dia já que existe o Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, mas a razão é simples: despertar consciências a respeito da discriminação e violência que as raparigas enfrentam por todo o mundo. Os seus desafios são únicos, mas infelizmente a sua voz muitas vezes não é ouvida ou então é simplesmente silenciada. De acordo com a ONU Mulheres:

  • No mundo inteiro existem 750 milhões de raparigas e mulheres que se casaram antes dos 18 anos
  • A maioria das raparigas e mulheres que se encontram vivas actualmente e que foram submetidas a mutilação genital feminina (MGF) foram excisadas antes dos 5 anos
  • As raparigas em zonas de conflito, quando comparadas com as que vivem em zonas de paz, têm 90% de probabilidade de não frequentarem o ensino secundário

No Ocidente o assédio sexual e a violência no namoro são dos desafios mais comuns. Tantas raparigas já passaram por isso, eu incluída. Lembro-me bem de ter sempre muito cuidado com a roupa que andava na rua, pois ia para a escola sozinha, mas mesmo evitando usar saias ou outro tipo de roupa mais curta tive de lidar com “piropos” bastante incomodativos. Sim, tinha medo. E, sim, também sofri de violência no namoro apesar de na altura não me aperceber disso. É que a violência não tem de ser apenas física: a violência psicológica também cria feridas!

Amar não é chantagear, monopolizar ou ofender.

Amar não é impedir-te de estares com os/as teus/tuas amigos/as ou de ires onde te apetecer.

Amar é liberdade.

Deixo-vos com esta foto minha na Índia, no estado de Rajastão, com as minhas meninas como carinhosamente as chamava. Costumava ir à aldeia delas uma vez por semana ensinar-lhes inglês enquanto falava sobre diferentes assuntos desde alimentação a liderança. Recordo-me sempre do seu entusiasmo quando chegava, encantadas por mais uma oportunidade de aprenderem algo diferente! Como tinham sede de aprender!

Custou-me tanto despedir-me delas (chorei imenso) e tenho tantas saudades, mas infelizmente perdi o seu contacto…Às vezes penso o que lhes terá acontecido. Sei, contudo, que o seu caminho já estava há muito traçado: casarem-se (provavelmente antes dos 18 anos) e terem filhos/as.

 

Amor, respeito e liberdade de ser para todas as raparigas,

Natacha

 

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