Olá brisa do mar!

Deixei de ver noticiários. Foi uma decisão consciente depois de me ter apercebido do seu impacto ao nível do meu bem-estar. De facto, comecei a ter gradualmente a noção que quando via noticiários ficava preocupada, ansiosa, triste. 

Preciso de mais “barulho” na minha vida quando tenho tanta coisa em que pensar?

Sei que poderá ser estranho para ti leres estas palavras. Afinal, sempre quis ser jornalista, estudei neste sentido e trabalhei na área durante um curto período de tempo. Contudo, uma das coisas que me lembro dos meus estudos é a teoria do agenda setting. Basicamente, é sobre como os média noticiosos influenciam os tópicos que consideramos importantes para falar. 

Quando vivia na cidade costumava ver noticiários. Queria manter-me informada, mas os interesses editoriais guiavam a minha atenção. Pensa na notícia de abertura ou no tempo dado a um determinado assunto. Por exemplo, antes de vir para aqui só se falava na crise financeira do país. O dia todo, todos os dias a falar da mesma coisa. Bem, isto não pode ser bom. Quem estava desempregado/a ficava preocupado/a porque “nunca mais vou encontrar uma oportunidade de trabalho” enquanto quem estava empregado/a apenas podia sofrer de ansiedade ao pensar “até quando terei emprego?” O medo instalou-se em Portugal e penso que os noticiários tiveram um papel importante.

Mas os noticiários podem também servir de entretenimento, não só devido ao poder das imagens e à forma como as notícias são apresentadas (às vezes com banda sonora para criar uma resposta emocional na audiência), mas também porque se torna parte das nossas refeições (ninguém fala enquanto o/a pivô ou o/a repórter está a falar) ou porque funciona como som de fundo enquanto se fazem outras coisas. Obrigada, mas não quero mais este tipo de entretenimento.

Chego à conclusão que ver noticiários dava-me uma falsa sensação de controlo. De facto, agora percebo que eu é que estava a ser controlada. Então o que faço actualmente? Leio jornais online, pois assim escolho as notícias que quero ler de acordo com os meus interesses. Talvez não saiba o assunto do momento, mas também nunca me senti tão empoderada.

 

Sorri e sê feliz,

Natacha

 

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