Olá brisa do mar!
Esta semana estou a publicar o meu artigo mais cedo do que o esperado porque hoje é o Dia Internacional da Mulher.
Como deves saber, fui voluntária na Índia onde trabalhei na área do empoderamento das mulheres. Foi este trabalho que me fez perceber o motivo para termos um Dia Internacional da Mulher. A verdade é que até àquela altura a desigualdade de género não era um problema para mim. Pelo menos era isso que eu pensava.
Pouco tempo depois de ter chegado ao país organizei, juntamente com os/as meus/minhas colegas, o Dia Internacional da Mulher numa aldeia, mas infelizmente apenas estiveram presentes mulheres e crianças. Naquela altura não quis saber. Estava zangada com os homens indianos pela forma como tratavam as mulheres, mas acabei por perceber que o empoderamento das mulheres não é possível sem o envolvimento e o apoio dos homens.
Na Índia há um ciclo vicioso de violência contra as mulheres, desde o seu nascimento até à sua morte. Infanticídio, mortes relacionadas com o dote (principalmente “acidentes” de cozinha), viúvas abandonadas pelas suas famílias nas cidades santas cuja única opção é mendigar, e muito mais. Apesar da violência e da discriminação fiquei surpreendida com uma coisa: o sorriso das mulheres, a “docilidade estóica” que Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn falam no seu livro Metade do Céu.
A discriminação contra as mulheres pode adoptar diferentes formas, dependendo do local onde nascemos. Para além daquilo que mencionei anteriormente, também poderia adicionar o seguinte:
- Pelo menos 200 milhões de raparigas e mulheres em 30 países de África, Médio Oriente e Ásia foram sujeitas a mutilação genital feminina (MGF)
- Anualmente, 15 milhões de raparigas casam-se antes dos 18 anos
- Cerca de 31 milhões de raparigas em idade de frequentar o ensino primário e 32 milhões de raparigas em idade de frequentar o secundário não frequentavam a escola em 2013
- Na Arábia Saudita as mulheres não têm autorização para conduzir
No Ocidente os desafios das mulheres são diferentes, mas também precisam de ser reconhecidos e abordados. Refiro-me a:
- Pagamento desigual por salário igual
- Falta de mulheres na política
- Tecto de vidro nos conselhos de administração das empresas
- Desigualdade de género no trabalho não remunerado (por outras palavras, tarefas domésticas)
- Violência doméstica
- Assédio sexual
O Dia Internacional da Mulher é um dia para lembrar que mulheres por todo o mundo enfrentam violência e discriminação apenas por serem…mulheres. Por isso a pergunta é: para quando deixar de haver um Dia Internacional da Mulher?
Sorri e sê feliz,
Natacha
