Olá brisa do mar!

“Não se nasce mulher, aprende-se a ser mulher”, como brilhantemente escreveu Simone de Beauvoir na sua obra O Segundo Sexo de 1949. Nesta constante procura de corresponder a um ideal social –  do que é ser mulher – corremos o risco de perder a nossa essência. Por isso hoje, no Dia Internacional da Mulher, gostaria de falar contigo sobre a liberdade de ser.

Não precisamos de viver numa prisão para sermos prisioneiros/as. A nossa sociedade vai-nos colocando em prisões invisíveis de que é exemplo o género, feminino para as mulheres e masculino para os homens. E assim vamos crescendo, confundindo sexo com género que não mais é do que uma construção sociocultural. Aliás, a famosa antropóloga Margaret Mead, ao estudar as tribos Arapesh, Mundugumor e Tchambuli da Nova Guiné,  constatou que essa dicotomia, por mais natural que possa parecer, de facto não é transversal a todas as sociedades. Tanto os homens como as mulheres Arapesh são “doces” e “maternais” enquanto os Mundugumor são “masculinos” e “viris”. No caso dos Tchambuli, as personalidades opõem-se, mas são elas que têm supremacia e determinação, ao passo que eles são emotivos e menos capazes. Uou, surpreendente, não é?

Na nossa sociedade o estereótipo feminino está por exemplo ligado à beleza, delicadeza, fragilidade, maternidade, sensibilidade, elegância, passividade…Associado a isto vêm as “escolhas” que fazemos: o cor-de-rosa (e não o azul), brincar com bonecas (e não com carrinhos), fazer ballet (e não jogar futebol ou praticar judo), ser professora, enfermeira, cabeleireira (mas não bombeira, mecânica, piloto de aviões). Há, de facto, uma pressão social para agirmos de acordo com a norma (mulher=feminino) e que tem início logo quando nascemos (aliás, mesmo antes!). Esta pressão começa por ser externa (pais, restante família, outros/as educadores/as, amigos/as, conhecidos/as e desconhecidos/as), mas vai-se interiorizando, incorporando. Sem darmos conta começamos a procurar a conformidade com a norma. Afinal, quem não quer ser aceite? Mas e à custa de quê? Perdem-se vidas quando se trilham caminhos que não são os nossos.

Abracemos, pois, a diversidade neste dia, das coisas mais preciosas que temos.  Porque há mulheres que não querem ser mães. Porque há mulheres que não querem ser femininas.  Porque há mulheres que querem simplesmente…ser!

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

 

Sorri e sê feliz,

Natacha

 

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