Olá brisa do mar!

“Somos o que comemos”, como disse Hipócrates, mas o que significa isso na prática?

A nossa alimentação pauta-se cada vez mais pelo consumo em excesso de proteína de origem animal, de açúcar e de produtos processados, por um lado, e pela carência de alimentos do reino vegetal e integrais, por outro. E estas escolhas alimentares têm um impacto que vai para além do número que vemos na balança*. Condicionam os nossos níveis de energia, o nosso humor e estão na origem de um variadíssimo número de sintomas e, claro, doenças.

Os números de obesidade, doença cardíaca, diabetes, cancro continuam a aumentar. Mas sabias, por exemplo, que menos de 10% dos cancros pode ser atribuído à genética? De facto, na maioria dos casos, não somos reféns dos nossos genes. Como nos mostra a epigenética, os genes acabam por ser apenas uma predisposição que se confirma ou não através de factores como a nossa alimentação e estilo de vida. Dou-te o meu exemplo pessoal. Durante grande parte da minha vida tive o colesterol extremamente elevado e ouvia sempre a conversa, “ah, é hereditário.” Mudei a minha alimentação e agora o meu colesterol nunca esteve tão bem!

Preferimos, contudo, que sejam os medicamentos a solucionar o nosso problema em vez de mudarmos a alimentação, pois isso mexe com hábitos, memórias e, nalguns casos, vai tão longe como mexer com a noção de quem nós somos. Por isso desejamos que nos dêem um medicamento que nos cure do mal que sofremos, mesmo que o tenhamos de tomar para o resto da vida. No entanto, os medicamentos não estão a ir à raiz do problema e, infelizmente, ainda há poucos/as médicos/as sensibilizados/as para o impacto da alimentação na nossa saúde já que é um tema pouco estudado nas faculdades de Medicina. Para além disso, sabias que 20% dos novos medicamentos têm efeitos secundários graves e desconhecidos e que mais de 100.000 americanos/as morrem todos os anos por tomarem correctamente a sua medicação correctamente prescrita?** Aliás, esta é uma das principais causas de morte nos Estados Unidos.**

Em The China Study**, o maior estudo epidemiológico sobre o impacto da alimentação e do estilo de vida na saúde, o Dr. Colin Campbell mostra-nos como o consumo de proteína animal (carne, peixe, ovos e lacticínios) está associado ao desenvolvimento de um sem número de doenças crónicas como a obesidade, a doença cardíaca, a diabetes, o cancro da mama, da próstata, do cólon e reto, entre outras. Para fazer face a estas doenças crónicas e, claro, preveni-las, o Dr. Campbell advoga uma alimentação à base de plantas e de produtos integrais, uma alimentação que já mudou tantas e tantas vidas que pareciam condenadas. Por exemplo, a doença cardíaca pode ser revertida apenas com mudanças na alimentação!

Independentemente de teres (ou de conheceres alguém que tenha) uma doença crónica, gostava que soubesses que sim, há esperança, e o poder está, na maioria das vezes, nas tuas mãos. Apenas é preciso quereres mudar!

 

Em memória da minha Tia Céu.

 

Nutre o teu ser,

Natacha

 

*Aproveito para dizer que não gosto de balanças e não tenho nenhuma em casa. Considero-as uma prisão.

**CAMPBELL, Colin and CAMPBELL, Thomas (2005). The China Study: startling implications for diet, weight loss and long-term health. Dallas: BenBella Books.

 

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