Olá brisa do mar!

O açúcar está presente em todo o lado. Podes encontrá-lo nos “suspeitos do costume” – bolos e bolachas – mas também nos cereais que comemos ao pequeno-almoço, no pão que temos à mesa, na tomatada que possamos eventualmente adicionar aos nossos cozinhados e em alimentos baixos em gordura ou sem gordura, como iogurtes. Os/as americanos/as consomem em média 20 colheres de chá por dia de açúcar que é adicionado aos alimentos!

Verdade seja dita: a “guerra” não é contra o açúcar, é contra a gordura. Contudo, se a gordura é retirada aos alimentos como é que continuam a ser saborosos? Adicionando açúcar. Esta “guerra” começou há muitas décadas atrás, mas um estudo recente concluiu não haver nenhuma associação significativa entre o consumo de gorduras saturadas doenças de coração (as gorduras trans presentes, por exemplo, nas margarinas são outra história).

Não estou a defender que devemos comer a quantidade de gordura que quisermos: a moderação é fundamental. O que me preocupa é termos estado a focar-nos em reduzir o consumo de gordura ao ponto de não nos apercebermos da quantidade de açúcar que estamos, por sua vez, a adicionar. E achas que os números das doenças de coração decresceram? Não, eles aumentaram! Um artigo publicado em Abril de 2014, no Journal of the American Medical Association (JAMA) concluiu haver uma “relação significativa entre o consumo de açúcares adicionados e o aumento do risco de mortalidade devido a doenças cardiovasculares” (tradução livre). Portanto neste estudo as pessoas que consumiram entre 17% a 21% de calorias vindas de açúcares adicionados tinham 38% de probabilidade de vir a sofrer de doenças cardiovasculares quando comparadas com as que consumiram 8%.

Está a escapar-nos alguma coisa? Parece que sim. De acordo com outro artigo publicado online a 12 de Setembro de 2016 no JAMA:

“os nossos resultados sugerem que a indústria patrocinou um programa de investigação nos anos 60 e 70 que com sucesso lançou dúvida a respeito dos perigos da sacarose enquanto promovia a gordura como sendo a culpada alimentar da doença coronária. Os comités políticos deviam considerar dar menos peso a estudos financiados pela indústria alimentar e incluir estudos mecanicistas e com animais bem como estudos avaliando o efeito dos açúcares adicionados em múltiplos biomarcadores da doença coronária e desenvolvimento de doenças” (tradução livre).

Mas o consumo de açúcar não está apenas relacionado com doenças de coração. Também está associado a:

Quando o açúcar apareceu no Ocidente era considerado uma especiaria de luxo. Não era suposto ter-se tornado parte integrante da nossa alimentação até porque, imagina, pode ser viciante. De facto, um estudo concluiu que quando foi dada a opção a ratos de escolherem entre açúcar e cocaína (depois de terem consumido ambos), preferiram o açúcar.

Então o que podes fazer? Dá uma oportunidade à fruta. Sei que ao princípio esta ideia pode não ser muito apelativa, mas isso é porque o teu palato está habituado ao gosto do açúcar. Quanto mais fruta comeres, mais irás apreciá-la. Se quiseres fazer uma sobremesa, então escolhe opções mais saudáveis como o mel ou o açúcar de coco. Mais uma vez, a moderação é fundamental. 

Uma nota final: quando fores ao supermercado tenta prestar atenção aos rótulos. Por exemplo:

  • Palavras que terminam em -ose são açúcar provavelmente: sacarose, maltose, dextrose, frutose, glucose, galactose, lactose, xarope de milho rico em frutose (HFCS), sólidos de glucose, frutose cristalina
  • Palavras que não terminam em -ose também podem ser açúcar: adoçante de milho, xarope de milho, concentrados de sumos de fruta, açúcar invertido, xarope de malte, açúcar bruto, xarope de açúcar, cristais de cana, açúcar de cana, sumo de cana evaporado, sólidos de xarope de milho

 

Tens o poder de escolher: escolhe sabiamente.

 

Nutre o teu ser,

Natacha

 

 

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